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O que é ser cool? Existe manual e instrução para ser descolado? "Cool People", um estudo de 2023, diz que sim!

  • Foto do escritor: Daniel Martins | @wondanland
    Daniel Martins | @wondanland
  • há 6 dias
  • 3 min de leitura

Atualizado: há 4 dias


Fala sério, todo mundo quer ser "cool" hoje em dia! Se você acredita que não, hoje te provo que sim. Queremos ser interessantes, bem-sucedidos, bonitos, legais, felizes! Isso é cool?


Hoje, nosso referencial de estilo de vida é o post do outro, disponível em uma vitrine acessível 24 horas por dia com abundância de seleção e filtros para que tudo seja digno do maravilhoso mundo de Disney. Parece que todos são bons e felizes.


A sensação é de que todos assistimos um constante reality show do outro, que vai do conhecido anônimo ao desconhecido famoso. O perigo: a narrativa é pautada no glamour do não visto, um jogo de imaginação que, quando para de existir, destrói essa história.


A gente cai como um patinho: queremos ter uma vida assim, mas é quase impossível (na verdade, é mesmo impossível). Então já que é inatingivel, que tal ser cool?


Um estudo publicado no Journal of Experimental Psychology: General (Warren et al., 2023) identifica seis traços principais associados à percepção de “coolness”:


Extroversão: são pessoas sociáveis e expressivas

Hedonismo: valorizam prazeres e experiências

Poder: passam sensação de influência/status

Abertura: são curiosas, criativas, fora do padrão

Autonomia: independentes, seguem seu próprio caminho

Aventura: gostam de risco, novidade


Deu cartela completa por aí?


O curioso é que ser cool não significa ser uma boa pessoa. No estudo fica clara essa distinção (deixei o link nas referências, tem uns gráficos que você pode acessar). Minha conclusão: ser cool é ser feliz e livre, algo que demanda estruturas racionais e muito traquejo emocional. E até mesmo desagradar em muitos momentos, falar não e ser fiel à sua essência. Ser cool é selecionar onde a sua energia é gasta.


E para a bondade encontraram outros tributos para esse tipo de pessoa:


Calma: emocionalmente equilibrada

Conscienciosa: responsável, disciplinada

Agradável: gentil, cooperativa

Calorosa: afetuosa, próxima das pessoas

Universalista: preocupada com o bem-estar de todos

Segura: busca estabilidade e segurança

Tradicional: valoriza normas e costumes

Conformista: segue regras sociais


Mas algo é comum dessas duas tribos: a capacidade. Para ser cool ou ser uma boa pessoa, o estudo aponta que precisamos ser capazes.


Vamos falar de contexto.


Depois de uma fase onde o movimento Wellness reinou, vemos uma rebeldia precisando ser acessada e vivida profundamente para se sentir mais autêntico.


A verdade é que desde que me conheço por gente, uma criança dos anos 90, eu percebo que quando a cartilha é chata e regrada demais as pessoas querem viver o contraponto disso.


Os Hippies são um ótimo exemplo, comportamento que foi resposta à guerra e ao militarismo, que deu origem à sociedade do pós guerra com a sua cultura conservadora e apaixonada por rotina. Eles iam na contramão.


Hoje, vemos no TikTok a batalha de lives: Clean Girl Vs. Messy Girl, as duas ganham em suas bolhas, mas ambas vem para defender um comportamento transitório de massa que ganha até um termo pela sua relevância.


Mas o ponto é: comportamento é sempre uma resposta do cenário em que estamos, é completamente contextual (ou seja, depende das microculturas também).


As pessoas estão parando de aceitar a ideia de que wellness é possível em meio a guerras e problemas socioeconômicos e ambientais alarmantes.


Cresce o desejo por algo atemporal e sólido: autenticidade e verdade. A alma do cool. Estamos buscando isso mais do que nunca, queremos ser mais identitários, mais independentes e isso tudo demanda desligar um pouco da cartilha e começar a ser cool.


Comportamento. Essa palavra do nosso dia a dia nomeia uma das maiores complexidades dentro do universo do Marketing. Ainda mais em tempos onde a nossa estimativa é de que a cultura muda em ciclos de 9 meses. Menos de 1 ano e temos uma mudança considerável em como pensamos e fazemos escolhas.


É assustador, mas ao mesmo tempo uma expressão da velocidade em que as coisas evoluem hoje em dia e o quanto somos expostos às mais diversas informações; e me permito chutar que também está relacionado à velocidade que as coisas ficam desinteressantes. A alegria nunca durou tão pouco. A performance nunca foi tanta. Mas, então, ser cool nunca vai mudar e se torna um mainstream novamente.




Fontes que colaboraram com esse texto:


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